Se há uma verdade incontestável na vida é a seguinte: nosso "eu" mais jovem é realmente tolo. Algumas vezes, extremamente tolo. Em especial, quando se trata de finanças. Abusamos do cartão de crédito e deixamos de poupar, porque pensamos que, algum dia, vamos nos topar com grandes riquezas e tudo vai acabar bem. É claro, depois acabamos pagando por essas decisões, muitas vezes, bem caro.
É mais ou menos como a versão financeira do que os defensores de reformas na assistência médica vêm chamado de os "jovens invencíveis" - a juventude pensa que nada de ruim vai lhe acontecer. Há motivos biológicos para que tenhamos tão pouco juízo.
"O córtex pré-frontal, onde ocorre a tomada de decisões, [ainda] continua se desenvolvendo por um bom tempo depois que se entra na faixa dos vinte e poucos", diz Ifat Levy, professor-assistente de neurociência na Yale University. "Isso afeta nossa percepção de risco."
Outro motivo é a falta de experiência. "Temos de cometer erros para aprender", acrescenta Levy. Como resultado, a maioria de nós guarda sérios arrependimentos financeiros ao longo da vida, situações em que realmente gostaríamos de poder voltar no tempo para tratá-las de forma diferente. Por exemplo, pesquisa em 2012 da Fundação Nacional de Assessoria de Crédito mostrou que o maior arrependimento de 53% dos consultados era sua mania de gastar demais - o item vencedor por uma larga margem. A seguir, vieram o empenho inadequado em poupar e a falta de preparação para a aposentadoria, dois lados da mesma moeda, na verdade, com 18% e 14%, respectivamente.
A "Reuters" fez uma pesquisa informal com profissionais financeiros para ver que conselhos eles dariam a si mesmos quando jovens. Mesmo os que acabaram virando assessores de investimento têm arrependimentos sobre como lidavam com o dinheiro na juventude.
A seguir, quatro formas de evitar campos minados quando se é jovem.
1 - Não selecione ações específicas
Quando era jovem e cheio de confiança, Mark Wilson, planejador financeiro do The Tarbox Group, de Newport Beach, Califórnia, inspirou-se em livros como "Beating the Street", de Peter Lynch. A filosofia: com a análise apropriada, qualquer pessoa pode gerar retornos superiores à média do mercado da mesma forma que Lynch, o ex-gestor do célebre fundo Fidelity Magellan.
Aqui está o que Wilson diria a seu "eu" mais jovem: pare de tentar ser tão esperto e baseie a maior parte de sua carteira em ETFs, fundos negociados em bolsa, e em fundos indexados, com baixas taxas de administração. "Acabei perdendo a paciência com o tempo que levava para selecionar ações específicas e com o desempenho nada espetacular", diz Wilson. "Afinal, até os mais ativos dos gestores podem ter desempenho inferior a seu índice [referencial]."
2 - Gaste mais tempo em desenvolver sua carreira
Quando nos formamos na universidade, é natural imaginar que nunca mais vamos ter que nos preocupar com cursos, trabalhos de fim de período ou mensalidades. Deixar se levar por essa ideia significa perder a oportunidade de ganhos futuros, diz Ben Birken, planejador financeiro da Woodward Financial Advisors.
Sim, economizar dinheiro é bom, mas restringir todo o potencial de sua carreira, não. "Você vai ter uma taxa de retorno muito melhor em um investimento acertado, que incremente sua renda durante toda sua carreira, do que nunca poderia esperar fazendo pequenas contribuições a uma conta [americana de aposentadoria especial] Roth IRA", diz Birken. Pense em algo entre 5% e 10% de seu salário anual, aconselha, para investir em você mesmo e potencializar sua renda futura.
3 - Ao estudar os custos residenciais, não erre na conta
Quando o mercado residencial do país está em pleno avanço, com alta anual superior a 13% como agora, segundo os índices mais recentes S&P/Case Shiller de preços residenciais, a taxa de retorno pode ser muito atraente. Mas será que esses 13% vão inteirinhos para o seu bolso? Não, diz Abigail Rosen, assessora da Brinton Eaton, uma firma de gestão de fortunas em Madison, Nova Jersey. Há uma enxurrada de custos que devem entrar na conta, como reparos, impostos sobre a propriedade e taxas de condomínio - para não mencionar a comissão de 6% para vender o imóvel, se usar um corretor.
Rosen descobriu da forma mais dolorosa, após comprar um apartamento de dois quartos em Morristown, Nova Jersey, no auge da onda imobiliária, em 2005. "Não percebi o que representava todos esses custos adicionais a cada mês", diz. E se o mercado voltar a desabar, seu patrimônio pode se dissipar e você ficar com uma dívida hipotecária superior ao valor de venda do imóvel, isso se você não ficar travado com um grande ativo sem conseguir vender. Conclusão: Não se deixe hipnotizar por aquela cozinha digna de programa culinário de TV e prenda-se a contas realistas antes de dar o salto.
4 - Não se permita o luxo de poder escolher
Se nossa tendência é tomar más decisões financeiras na juventude, aqui está uma forma elegante de driblar isso: automatize tudo e tire da equação a fragilidade humana inata. Ao programar o envio automático de uma parte da renda a uma conta de poupança, você nem verá a cor desse dinheiro e não terá como acionar o instinto natural humano de estragar tudo.
É o que Adam Leone, da Modera Wealth Management, de Westwood, Nova Jersey, diria a sua versão mais jovem. "Quando queria me divertir um pouco mais, convenientemente, costumava pular transferências para a poupança", diz Leone, de 35 anos. "Agora, vai demorar mais alguns anos - e concretizar aquela [soma desejada de] poupança vai ficar mais difícil." Abrir mão de começar a poupar na juventude pode ter resultados negativos consideráveis no futuro.
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