terça-feira, 28 de janeiro de 2014

80% dos brasileiros não controlam suas finanças.

Segundo pesquisa, apenas 18% dos entrevistados têm bom conhecimento sobre as finanças pessoais.

 
Apesar do recuo da inadimplência para níveis históricos, o brasileiro ainda tem pouco conhecimento sobre as suas finanças, independentemente do estrato social.
Oito em cada dez entrevistados não sabem como controlar as despesas, revela uma pesquisa nacional feita em dezembro com cerca de 650 pessoas pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
A enquete mostra que apenas 18% dos entrevistados têm bom conhecimento sobre as finanças pessoais. A economista do SPC Brasil, Luiza Rodrigues, destaca que esse resultado praticamente se repete para todos os estratos sociais.
Em 84% dos domicílios com renda mensal de até R$ 1.330, o chefe da família tem parcial ou nenhum conhecimento sobre as finanças da casa.
Essa fatia cai para 86% no caso das famílias com rendimentos entre R$ 1.331 e R$ 3.140 e recua para 76% para aquelas com receita acima de R$ 3.141. Mas ainda é um porcentual alto.
"O consumidor adulto se mostra muito pouco preparado em relação às finanças pessoais", afirma Luiza. A economista ressalta que há uma relação direta entre saldo negativo na conta corrente e o baixo conhecimento financeiro.
Quase 70% daqueles que têm baixo ou nenhum conhecimento sobre as finanças pessoais termina o mês no vermelho ou no zero a zero na sua conta corrente. Esse resultado recua para 29% para aqueles que acompanham as suas receitas e despesas.
Um dado que chamou a atenção é que mais de um terço dos entrevistados (36%) sabiam um pouco ou nada sabiam sobre as contas regulares que deveriam pagar este mês, com resultados muito parecidos para as três faixas de renda analisadas.
No caso das despesas extras de início de ano, mais da metade (57%) não sabia exatamente quanto deveria gastar a mais. Há também falta de conhecimento do lado das receitas, com 40% dos entrevistados declarando não ter informações exatas sobre a renda.
A principal dificuldade apontada pelos consumidores de todas as classes sociais para controlar as finanças pessoais foi a disciplina para registrar gastos e receitas com regularidade, com 39%. Mas fazer contas é tido como um problema para 6% dos entrevistados. Esse resultado dobra (12%) no caso do estrato com menor renda.
Fôlego
Além da falta de controle das despesas e receitas, outras informações relevantes reveladas pela pesquisa são o ímpeto do consumidor para ir às compras e a falta de fôlego financeiro: 38% dos entrevistados informaram que às vezes, ou nunca, avaliam a sua situação financeira antes de adquirir um bem.
A falta de reservas financeiras é nítida quando se avalia que mais da metade (55%) dos entrevistados não conseguiriam se manter por mais de três meses em situação de dificuldade. "Como o tempo de recolocação no mercado de trabalho é de sete meses, esse resultado é preocupante, se houver um tropeço no emprego", diz a economista.
A escassez de controle dos brasileiros sobre as suas finanças ocorre num momento em que os índices de inadimplência registram baixas históricas. Na avaliação de Luiza, esse cenário não é contraditório com a falta de rigor nas finanças pessoais porque o principal fator, na sua opinião, que levou ao recuo do calote foi a cautela do sistema financeiro na aprovação de novos créditos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Exame.com

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Uma assessoria financeira para o seu "eu" mais jovem

Se há uma verdade incontestável na vida é a seguinte: nosso "eu" mais jovem é realmente tolo. Algumas vezes, extremamente tolo. Em especial, quando se trata de finanças. Abusamos do cartão de crédito e deixamos de poupar, porque pensamos que, algum dia, vamos nos topar com grandes riquezas e tudo vai acabar bem. É claro, depois acabamos pagando por essas decisões, muitas vezes, bem caro.

É mais ou menos como a versão financeira do que os defensores de reformas na assistência médica vêm chamado de os "jovens invencíveis" - a juventude pensa que nada de ruim vai lhe acontecer. Há motivos biológicos para que tenhamos tão pouco juízo.

"O córtex pré-frontal, onde ocorre a tomada de decisões, [ainda] continua se desenvolvendo por um bom tempo depois que se entra na faixa dos vinte e poucos", diz Ifat Levy, professor-assistente de neurociência na Yale University. "Isso afeta nossa percepção de risco."

Outro motivo é a falta de experiência. "Temos de cometer erros para aprender", acrescenta Levy. Como resultado, a maioria de nós guarda sérios arrependimentos financeiros ao longo da vida, situações em que realmente gostaríamos de poder voltar no tempo para tratá-las de forma diferente. Por exemplo, pesquisa em 2012 da Fundação Nacional de Assessoria de Crédito mostrou que o maior arrependimento de 53% dos consultados era sua mania de gastar demais - o item vencedor por uma larga margem. A seguir, vieram o empenho inadequado em poupar e a falta de preparação para a aposentadoria, dois lados da mesma moeda, na verdade, com 18% e 14%, respectivamente.

A "Reuters" fez uma pesquisa informal com profissionais financeiros para ver que conselhos eles dariam a si mesmos quando jovens. Mesmo os que acabaram virando assessores de investimento têm arrependimentos sobre como lidavam com o dinheiro na juventude.

A seguir, quatro formas de evitar campos minados quando se é jovem.

1 - Não selecione ações específicas

Quando era jovem e cheio de confiança, Mark Wilson, planejador financeiro do The Tarbox Group, de Newport Beach, Califórnia, inspirou-se em livros como "Beating the Street", de Peter Lynch. A filosofia: com a análise apropriada, qualquer pessoa pode gerar retornos superiores à média do mercado da mesma forma que Lynch, o ex-gestor do célebre fundo Fidelity Magellan.

Aqui está o que Wilson diria a seu "eu" mais jovem: pare de tentar ser tão esperto e baseie a maior parte de sua carteira em ETFs, fundos negociados em bolsa, e em fundos indexados, com baixas taxas de administração. "Acabei perdendo a paciência com o tempo que levava para selecionar ações específicas e com o desempenho nada espetacular", diz Wilson. "Afinal, até os mais ativos dos gestores podem ter desempenho inferior a seu índice [referencial]."

2 - Gaste mais tempo em desenvolver sua carreira

Quando nos formamos na universidade, é natural imaginar que nunca mais vamos ter que nos preocupar com cursos, trabalhos de fim de período ou mensalidades. Deixar se levar por essa ideia significa perder a oportunidade de ganhos futuros, diz Ben Birken, planejador financeiro da Woodward Financial Advisors.

Sim, economizar dinheiro é bom, mas restringir todo o potencial de sua carreira, não. "Você vai ter uma taxa de retorno muito melhor em um investimento acertado, que incremente sua renda durante toda sua carreira, do que nunca poderia esperar fazendo pequenas contribuições a uma conta [americana de aposentadoria especial] Roth IRA", diz Birken. Pense em algo entre 5% e 10% de seu salário anual, aconselha, para investir em você mesmo e potencializar sua renda futura.

3 - Ao estudar os custos residenciais, não erre na conta

Quando o mercado residencial do país está em pleno avanço, com alta anual superior a 13% como agora, segundo os índices mais recentes S&P/Case Shiller de preços residenciais, a taxa de retorno pode ser muito atraente. Mas será que esses 13% vão inteirinhos para o seu bolso? Não, diz Abigail Rosen, assessora da Brinton Eaton, uma firma de gestão de fortunas em Madison, Nova Jersey. Há uma enxurrada de custos que devem entrar na conta, como reparos, impostos sobre a propriedade e taxas de condomínio - para não mencionar a comissão de 6% para vender o imóvel, se usar um corretor.

Rosen descobriu da forma mais dolorosa, após comprar um apartamento de dois quartos em Morristown, Nova Jersey, no auge da onda imobiliária, em 2005. "Não percebi o que representava todos esses custos adicionais a cada mês", diz. E se o mercado voltar a desabar, seu patrimônio pode se dissipar e você ficar com uma dívida hipotecária superior ao valor de venda do imóvel, isso se você não ficar travado com um grande ativo sem conseguir vender. Conclusão: Não se deixe hipnotizar por aquela cozinha digna de programa culinário de TV e prenda-se a contas realistas antes de dar o salto.

4 - Não se permita o luxo de poder escolher

Se nossa tendência é tomar más decisões financeiras na juventude, aqui está uma forma elegante de driblar isso: automatize tudo e tire da equação a fragilidade humana inata. Ao programar o envio automático de uma parte da renda a uma conta de poupança, você nem verá a cor desse dinheiro e não terá como acionar o instinto natural humano de estragar tudo.

É o que Adam Leone, da Modera Wealth Management, de Westwood, Nova Jersey, diria a sua versão mais jovem. "Quando queria me divertir um pouco mais, convenientemente, costumava pular transferências para a poupança", diz Leone, de 35 anos. "Agora, vai demorar mais alguns anos - e concretizar aquela [soma desejada de] poupança vai ficar mais difícil." Abrir mão de começar a poupar na juventude pode ter resultados negativos consideráveis no futuro.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Para Banco Mundial, Brasil deve crescer 2,4% este ano.

O Brasil deve ter uma das menores taxas de crescimento este ano entre os países emergentes, prevê o Banco Mundial.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve se expandir 2,4%, maior apenas que as taxas previstas para o Irã e o Egito, respectivamente de 1% e 2,2%, de acordo com números citados no relatório "Perspectiva Econômica Global 2014", divulgado nesta terça-feira, 14, em Washington.
O Brasil deve também crescer menos que a economia global, com expansão prevista de 3,2% em 2014, e que os países em desenvolvimento (média de 5,3%), prevê o Banco Mundial.
A instituição, porém, está mais otimista com o País que economistas brasileiros. O mercado financeiro, de acordo com o Relatório Focus, do Banco Central, espera crescimento de 1,99% este ano.
O Banco Mundial vê a economia brasileira se recuperando nos próximos dois anos, puxada pela expansão das exportações e investimentos públicos para a Copa do Mundo e a Olimpíada. Em 2015, segundo a instituição, o PIB deve crescer 2,7%. Apesar da melhora, ainda deve ficar abaixo da média mundial.
As projeções dos economistas do banco apontam para uma expansão de 3,4% para a economia global e de 5,5% para os emergentes no ano que vem. Em 2016, o PIB brasileiro deve avançar 3,7%, voltando depois de alguns anos a ficar acima da média da economia global, de 3,5%, mas ainda abaixo dos emergentes, com 5,7%.
Ainda no documento, o Banco Mundial divulga projeções para o balanço da conta corrente em relação ao PIB, que deve piorar este ano no Brasil na comparação a 2013, para em seguida melhorar. O indicador deve ficar negativo em 3,7% em 2014, ante 3,6% em 2013. Em 2016, deve ficar negativo em 3,2%, prevê o relatório.
São os países com pior situação nas contas externas os mais sujeitos a reações adversas às mudanças na política monetária dos Estados Unidos, destaca o documento.
O relatório avalia que o crescimento dos emergentes voltou a melhorar na segunda metade de 2013, depois de um fraco início de ano. Mas o documento aponta que essa recuperação tem sido desigual, com países como o Brasil mostrando contração no PIB no terceiro trimestre do ano passado, enquanto outros países como Tailândia, China, México e Malásia aceleravam suas taxas de expansão da economia.
Boa parte do relatório é dedicada a avaliar os impactos na economia global da mudança na política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).
O Banco Mundial chama atenção para o fato de que os investidores estão fazendo uma maior diferenciação entre os emergentes, ao contrário de outros momentos. Assim, países com números piores, por exemplo, nas contas externas, como Brasil, África do Sul, Indonésia e Índia, foram mais afetados desde maio, quando o Fed sinalizou pela primeira vez que poderia mudar sua política.
Agora que o Fed vai efetivamente começar a reduzir as compras mensais de ativos, o Banco Mundial alerta que os países emergentes precisam ficar vigilantes e prontos para responder a pressões no mercado financeiro.
O documento também recomenda que esses países façam, para lidar com esse novo cenário, reformas estruturais e reforcem mecanismos de proteção.
No caso da América Latina, a previsão do Banco Mundial é de que a região receba menos capital externo este ano, com US$ 278 bilhões, considerando os fluxos líquidos de capital privado. Em 2013, foram US$ 290 bilhões. Para 2015, a previsão é de recuperação, com US$ 295 bilhões.
Ainda sobre o Brasil, o relatório comenta a piora das contas públicas do País e cita a estratégia do governo de usar os bancos públicos para estimular o mercado de crédito. A estratégia, diz o documento, pode contribuir para aumentar a vulnerabilidade do País. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Exame.com

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Nove resoluções para qualquer um ter um 2014 verdadeiramente próspero

Promessas de Ano Novo não funcionam - especialistas em comportamento já sabem disso. Quem acordou em 1º de janeiro e disse com convicção algo vago do tipo "neste ano, vou colocar minhas finanças sob controle - de verdade!", há uma boa chance de seu orçamento acabar no mesmo lugar em que todas essas boas intenções normalmente terminam.

É por isso que, em vez disso, é melhor preparar uma lista de tarefas a fazer. Cada atividade em minha lista para 2014 é discreta e aplicável, sem demandar muito tempo. Vá riscando-as, uma a uma, e você vai melhorar drasticamente suas finanças.

Em 2014, você terá mais poder, graças a algumas mudanças no mercado favoráveis aos consumidores. O novo foco nas comissões cobradas e na transparência nas contas 401 (k), como são conhecidos nos Estados Unidos os planos previdenciários com participação do empregador, facilitará a monitoração pelos investidores. Os emissores de cartões de crédito incrementaram o marketing e a concorrência, então, há melhores alternativas nesse segmento. Novos aplicativos tornaram mais fácil lidar com seu dinheiro sem precisar manter controle das finanças fisicamente.

Sem mais delongas, aqui vai minha lista de tarefas a fazer para poupar e prosperar em 2014:

1) Adote um sistema de registro eletrônico. O fato de simplesmente observar as reações em seu patrimônio líquido com base em suas transações com cartões de crédito e, para os investidores mais sofisticados, nas variações do mercado acionário, por exemplo, vai te tornar um gestor financeiro muito melhor. Os serviços Quicken e seu primo on-line Mint, ambos da Intuit Inc., continuam dominantes da categoria, mas há muitos outros aplicativos, como o iBank, o mvelopes, o Spendee e o Budgt, que podem levar as finanças para seus eletrônicos favoritos. Há diferenças - alguns são melhores em acompanhar investimentos e em conectar-se a várias contas, portanto, compare antes de comprometer-se. Perca poucas horas em algum longo dia de chuva e você vai economizar tempo e dinheiro durante todo o ano.

2) Aprenda algo novo a cada semana. O que é relação preço sobre lucro? O que é um fundo negociado em bolsa (ETF, na sigla em inglês)? Seu cartão de crédito cobra alguma taxa cambial quando você o usa no exterior? Que tipo de seguro de vida os especialistas te recomendariam neste momento? Qual plano de poupança para o ensino superior tem o retorno mais generoso? Quanto mais você aprender sobre tópicos financeiros, melhor você vai conseguir administrar seu dinheiro. Se você tiver interesse em investir, considere formar um grupo de estudo com alguns amigos. Você pode escolher um tópico por semana e pesquisá-lo durante 15 a 30 minutos. Em um ano, você estará muito mais informado; em dez anos você poderá ter virado um mestre em investimentos.

3) Incremente seu plano de previdência com co-participação do empregador. Muitos funcionários de empresas contam com planos de previdência nos quais os empregadores também fazem aportes. Certifique-se de que você está destinando a essa conta tanto dinheiro quanto seu empregador. Entre com o máximo que você tiver condições de entrar, a menos que o plano de sua empresa apenas ofereça alternativas de investimentos com preços muito altos ou com desempenhos ruins.

4) Reequilibre seu plano de previdência. Nos EUA, a alta média anual dos custos de fundos mútuos de ações foi superior a 32% até pouco antes do fim de 2013, enquanto os fundos de bônus tiveram queda média de quase 2%, segundo a Morningstar. Isso significa que as alocações de seu fundo de aposentadoria podem ter ficado gravemente fora de sintonia. Em sua conta de aposentadoria tire algum dinheiro das ações e passe para os bônus, até que os percentuais de cada tipo de ativo em sua conta se encaixe com suas metas iniciais.

5) Pegue um cartão de crédito melhor. Se você estiver usando apenas o cartão que tem há anos, provavelmente não está aproveitando ao máximo suas recompensas. Empresas emissoras incrementaram seus programas de benefícios nos últimos anos ou, mesmo, meses. Veja sites como o lowcards.com ou o bankrate.com para encontrar um cartão com um programa de recompensas mais adequado a seu nível de gastos. Use um segundo cartão de um emissor diferente. Caso seu cartão seja clonado ou cancelado, você não vai ficar sem poder comprar itens ou serviços enquanto espera pela chegada do novo.

6) Deixe o cartão de débito de lado. Na semana passada, o JPMorgan Chase & Co. limitou o uso de cartões de débito da bandeira Chase para clientes que os usaram em lojas da Target Corp., onde hackers roubaram um grande volume de dados. Esse é apenas um dos motivos pelos quais os cartões de débito não são muito bons para os consumidores. Eles não oferecem as recompensas que os cartões de crédito. Eles tiram o dinheiro de sua conta de imediato, em vez de te dar certo período, como os de crédito. Se o número de seu cartão de débito for hackeado e usado, pode te levar a perder pagamentos importantes, como os da hipoteca ou de seu carro, até seu banco resolver a confusão. Usados com muita frequência, os cartões de débitos podem fazer seus extratos bancários mensais ficarem longos e complicados. Faça isso, a menos que não tenha a disciplina necessária para pagar mensalmente as despesas diárias com cartão de crédito.

7) Programe transferências automáticas mensais a algum investimento. Abra uma conta em algum fundo de baixo custo e invista uma quantia determinada a cada mês, a partir de sua conta corrente. Você nem vai perceber o dinheiro a menos e vai acumular uma reserva que poderá ser muito útil no futuro.

8) Compare valores cobrados por rivais em suas despesas recorrentes mais dispendiosas, como, por exemplo, seguros, lazer, tecnologia etc. Por exemplo, ao longo de janeiro, você pode ver se não há algum plano alternativo ao seguro de seu carro que seja mais barato ou com benefícios que podem lhe economizar despesas, como serviços para casa. Em fevereiro, analise a cobertura de seu seguro de saúde e gastos de co-participação para determinar a melhor alternativa. Em março, analise seus custos com TV e veja se não é o caso de cortar o cabo e aderir a algum serviço que permita reproduzir filmes e séries pela internet a um custo menor. Em abril, veja como e quanto você paga pelo serviço de energia [no Brasil, o argumento vale para serviços, como telefonia] e avalie se não há alguma empresa mais barata ou solução mais eficiente que te traga economia. Você pode continuar o ano inteiro, buscando melhores acordos em seu seguro de vida, hipoteca, plano de aposentadoria individual, serviço de telefone e assim por diante.

Você vai economizar muito. Item final (9): Pegue suas economias e coloque naquele fundo de reserva. Se você poupar e investir US$ 1 mil por ano, com um rendimento anual de 8% e transferir automaticamente US$ 200 por mês, vai ter acumulado US$ 38 mil em dez anos e US$ 122.700 em 20. Feliz Ano Novo!

Choque na previdência

Ao contrário do clima de tranquilidade e bem-estar que, em geral, sugerem as propagandas dos produtos de previdência privada, o ano de 2013 veio para mostrar um lado mais turbulento do setor. Quem sempre imaginou os investimentos do gênero como um caminho zen, de rentabilidade continuamente crescente, levou um susto. As emoções foram fortes ao longo do ano passado. E se aproximaram daquelas experimentadas por segmentos do mercado de capitais mais sujeitos à volatilidade, como a renda variável.

Em 2013, conforme revela o balanço realizado com 727 fundos pelas consultorias NetQuant e Towers Watson, todos os segmentos da previdência aberta perderam de goleada para o Certificado de Depósito Interfinaneiro, o CDI, principal referência de retorno da renda fixa, que rendeu 8,06% no ano passado, e até mesmo da poupança, com 5,85% de ganho líquido.

Os fundos da categoria renda fixa - que tiveram melhor desempenho no ano passado - registraram ganho médio de 4,62%, ou seja, não só foram batidos pelo CDI como perderam também da inflação: segundo a mediana de estimativas do mais recente boletim Focus, do Banco Central, 2013 teria fechado com uma alta de 5,74% na medição pelo IPCA. Já os multimercados sem renda variável conseguiram uma rentabilidade média acumulada ainda mais sofrível, de apenas 2,06%.

Nas categorias com renda variável, o resultado minguado só não foi negativo nos fundos com alocação de até 15% da carteira em ativos do gênero. Esses produtos com menor limite para apostar em ações ganharam 2,16% na média de 2013. No entanto, conforme a possibilidade de alocação em bolsa aumenta, o prejuízo também cresce. Aqueles com permissão para ter até 30% de renda variável perderam 0,05% no ano passado, enquanto os compostos por fatia de até 49% tiveram um prejuízo médio de 3,02%.

O ano registrou ainda marcas pouco memoráveis para a indústria. Em julho, por exemplo, houve, pela primeira vez em cinco anos, mais saques que aportes, com resgates líquidos de R$ 1,04 bilhão. Desse total, a renda fixa amargou retirada de R$ 622 milhões no período. O saldo negativo refletiu o nervosismo dos investidores, preocupados com perdas em meses consecutivos.

Os resultados ruins em 2013 espelharam, entre os principais fatores, o ciclo de alta de juros combinado ao movimento de alongamento de prazos médios das carteiras de previdência. Segundo o sócio-diretor da NetQuant, Marcelo Nazareth, "a maiora dos fundos só viu o lado ruim desse cenário". Ou seja, fizeram a troca de títulos no momento em que os juros estavam nos patamares mais baixos e foram pegos no contrapé do ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic. "Uma regulamentação tardia acabou obrigando as empresas de previdência a alongarem os prazos justamente quando as taxas estavam nas mínimas históricas", explica Nazareth, em referência à determinação do governo que obrigou gestores de previdência aberta a substituir aplicações de curto prazo e indexadas à Selic por papéis mais longos.

Na esteira desse ajuste, recheadas de títulos públicos indexados à inflação, as NTN-Bs, e, em menor grau, de prefixados, como LTNs e NTN-Fs, as carteiras da maioria dos fundos de renda fixa do setor amargaram perdas em boa parte do ano passado. Os momentos mais críticos ocorreram nos dois meses que antecederam os resgates de julho, conforme pode ser percebido pelo desempenho do IMA-B, índice que registra a variação de uma carteira teórica de títulos do governo atrelados ao IPCA. Em maio, o indicador registrou uma perda de 4,52% e, no período seguinte, novo retorno negativo de 2,79%.

As perdas na renda fixa trouxeram volatilidade inédita ao mercado. Segundo o presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), Osvaldo do Nascimento, o Brasil historicamente não apresentava essa instabilidade no setor, "mas agora entrou no clube". Com uma cultura previdenciária até então permeada pela estabilidade, as oscilações de 2013 deixaram os investidores com os nervos à flor da pele.

Em termos de captação líquida, quando se descontam os resgates dos aportes, apesar de o ano ter terminado com um saldo positivo de R$ 25,37 bilhões, o valor representa um recuo de 31,35% na comparação com o resultado de 2012, segundo o levantamento da NetQuant e Towers Watson.

Todos os segmentos de renda variável registraram saídas líquidas no ano passado, provavelmente impactados pelo desempenho ruim do Ibovespa, que teve queda de 15,5% em 2013. O recuo nessa categoria de fundos de previdência indica ainda uma tendência a maior aversão ao risco, que deve imperar neste ano entre os investidores.

Para a consultora sênior do grupo Mercer, especializado em seguros e previdência, Carolina Wanderley, "o cliente de PGBL e VGBL muitas vezes enxerga esses produtos como um investimento de curto prazo. É um erro". O presidente da FenaPrevi reforça essa percepção: "o cidadão não está preparado para a volatilidade e quando ele olha para rentabilidade negativa ele acha que perdeu dinheiro".

Carolina, no entanto, lembra que previdência é investimento de poupança e de longo prazo. "Enquanto as pessoas não entenderem essa característica vai acontecer essa fuga em momentos de instabilidade." O vice-presidente de planejamento e vendas da Icatu Seguros, Luciano Snel, vê um lado benéfico para as turbulências de 2013. "O cenário adverso forçou as companhias a fazer ações de relacionamento com os corretores e clientes para ter certeza de que todo mundo estava entendendo", diz.

De acordo com a diretora de produtos e comunicação da BB Seguridade, que controla a Brasilprev, Ângela de Assis, o ano passado trouxe um aprendizado com as ações de relacionamento, que, avalia ela, foram fundamentais para enfrentar as oscilações do mercado. "Em maio e junho, quando tivemos um período de grande volatilidade, começamos a fazer uma série de reuniões no Brasil todo para levar informações sobre a volatilidade, como era melhor atuar, impacto da alta da Selic. Fizemos esses encontros específicos com todos os clientes com maiores valores aplicados em previdência." Segundo Ângela, essas iniciativas não só impediram clientes de realizarem prejuízos, como trouxeram maior tranquilidade aos cotistas.

A renda fixa e a ilusão de compreensão

Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia em 2002, em sua obra "Rápido e Devagar", discorreu sobre uma das ilusões nas escolhas: a habilidade de compreender o passado, dar sentido a ele e acreditar que o futuro também será claro. Na visão do autor, as pessoas tendem a negligenciar o questionamento de suas crenças atuais e isso traz custos sociais. Tal viés comportamental é conhecido por ilusão de compreensão.

Ao observarmos o mercado de renda fixa brasileiro de 2009 a 2012, encontramos uma bela exemplificação da ilusão de compreensão. A queda do juro real para nível inferior a 3% ao ano ocorreu de forma muito rápida. O mercado se preocupou mais em construir uma boa história que abraçasse o surpreendente ritmo de convergência do que em questionar a incerteza sobre a durabilidade da nova condição. As crenças passadas perderam um tanto do sentido diante do conjunto informacional hoje disponível. O investidor ignorava eventual fragilidade dos avanços estruturais da economia brasileira e a validade da liquidez frouxa nos Estados Unidos. Assim, o alongamento das carteiras de renda fixa ocorreu sem a devida atenção à iminente inflexão do regime no fim de 2012. A guinada na tendência viria num futuro bem próximo. O juro real corrente estava, sim, fora do equilíbrio.

Outros vieses comportamentais são aplicáveis à evolução recente do mercado. O excesso de confiança na permanência da tendência de queda do juro real levou à concentração dos investimentos na renda fixa longa.

A aversão à perda por miopia veio em 2013, num misto de métricas de acompanhamento de curtíssimo prazo, decisões baseadas na sensação de perda de riqueza instantânea e objetivos de investimento de longo prazo. Os resgates passaram a ser continuados em momentos de queda mensal das rentabilidades das estratégias de renda fixa longa ou de desempenhos inferiores ao CDI.

O fechamento das taxas e os prêmios gordos induziram os três comportamentos anteriormente mencionados. Entre 2010 e o fim de 2012, a análise dos retornos acumulados do IMA-B em janelas móveis de um a cinco anos mostra períodos seguidos de desempenho muito superior ao CDI. Vários picos de rentabilidade mensal também aconteceram. Para quem investe "olhando para o retrovisor" foi uma junção "da fome com a vontade de comer". Tratava-se da fase pujante de inscrições no Tesouro Direto e de crescimento do patrimônio dos fundos de investimento e planos de previdência com estratégias atreladas à renda fixa longa.

O esforço de educação financeira para aprimorar a cultura de investimentos de longo prazo e incentivar a desindexação do CDI pode ter sido abalado. Por mais que faça todo o sentido econômico atrelar ativos de longo prazo aos passivos de aposentadoria, o meio da jornada de investimentos sofre resistência em função do alto grau de volatilidade. Crenças já derrubadas estão voltando, como indica o fluxo de captação líquida muito positivo para a caderneta de poupança e operações compromissadas. E mais: casos de alocação incompatível com a tolerância ao risco e capacidade financeira tornaram-se evidentes; resgates ocorreram mesmo a despeito das condições de portabilidade dos investimentos em previdência e de perda de benefícios tributários.

A volatilidade deve ser entendida como parte do processo. A seguir, aprendizados e constatações que devemos ter em mente para que os nossos investimentos prosperem no longo prazo:

1 - O envelhecimento do brasileiro vai se prolongar, o que exigirá maior duração das reservas. O esforço de poupança será mais determinante do que a rentabilidade para o alcance dos objetivos de investimento de longo prazo;

2 - Os mais conservadores correm o risco de perder para a inflação. É um risco oculto que pode ser percebido tarde demais;

3 - Renda fixa longa não combina com reserva de liquidez;

4 - Tomar decisões de curto prazo com base no acompanhamento diário ou mensal de estratégias com maturação de longo prazo pode ser muito ineficiente. Existe assimetria de informações no mercado e há chance real de entrar na alta (das cotas) e sair na baixa quando o investidor está tomado pela impaciência. A rentabilidade passada ajuda somente a melhorar a noção de riscos;

5 - Os níveis atuais dos cupons dos títulos atrelados à inflação estão atrativos para a alocação gradual com horizontes de longo prazo vis-à-vis o juro neutro estimado;

6 - Diversificar é preciso também dentro da classe de ativos renda fixa.

O ano de 2014 será desafiador para os mercados diante dos impactos dos próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do processo eleitoral no Brasil. A posse de Janet Yellen à frente do Fed pode ser o começo de um período menos instável para os mercados de renda fixa em nível global. A essência de Yellen, bem como a de personalidades bem-sucedidas no mundo financeiro (Warren Buffett é um dos exemplos), está relacionada à paciência nas escolhas para a obtenção de resultados consistentes. Que 2014 seja um bom exemplo de resistência a ambientes turbulentos para os investidores com objetivos de longo prazo!

IMÓVEIS - Investidor toma risco elevado sem perceber


Pergunte a um brasileiro comum o que ele acha de ficar com uma "posição comprada de R$ 100 mil em índice Ibovespa futuro". Provavelmente receberá de volta uma cara de espanto e um comentário do tipo: "Hein? Do que você está falando?"

O leitor também não deve se assustar com o primeiro parágrafo desta coluna, porque o objetivo aqui não é discutir contratos derivativos, mas um aspecto interessante sobre a percepção de risco do investidor.

Afinal, a maioria das pessoas nunca ouviu falar de derivativos e nem tem interesse de saber como eles funcionam.

E mesmo que a lógica desse tipo de instrumento financeiro seja explicada, é natural presumir que o interlocutor vai considerar o produto complicado e arriscado.

Ainda assim, segue uma breve tentativa, que ajuda a fechar o raciocínio. Em linhas gerais, uma posição comprada em índice futuro no valor de R$ 100 mil permite que o investidor tenha a rentabilidade que teria se tivesse efetivamente uma carteira de ações nesse valor aplicada em papéis do Ibovespa, mas com uma grande diferença. Ele não precisa ter os R$ 100 mil disponíveis imediatamente, mas apenas uma fração desse valor, que é depositada na BM&FBovespa como margem de garantia. Ufa!

Para efeito explicativo, imagine que essa margem seja de R$ 30 mil (na prática, é menor).

Como foi dito acima, o apelo é a alavancagem proporcionada pelo derivativo, que é a capacidade de multiplicar a rentabilidade sem ter o dinheiro todo. Basta que o Ibovespa suba, vamos supor, 30% em determinado período, de três anos, por exemplo, para que o aplicador passe a ter uma posição de R$ 130 mil, dobrando o valor inicialmente investido, que era de R$ 30 mil.

Parece complicado. E por isso mesmo pouquíssimos pequenos investidores entram numa operação aparentemente arriscada como essa, ou pelo menos não no âmbito do mercado de valores "mobiliários".

É importante fazer essa ressalva porque milhares de brasileiros fazem isso regularmente e, sem medo, no mercado "imobiliário".

Compram um apartamento na planta, adiantando cerca de 30% de seu valor até as chaves, apostando na valorização do bem até o momento da venda, cerca de dois ou três anos depois de fechar o negócio. A grande vantagem é que passam a ter direito sobre 100% da valorização do imóvel durante a construção, mesmo só tendo desembolsado uma fração do valor total.

Dá para notar a semelhança?

É claro que,se a pessoa considera morar no apartamento que está comprando, e já possui condições financeiras para pagar ou financiar os 70% restantes do valor do imóvel, vive uma situação diferente.

Mas quem faz a operação sem ter condições ou planos de comprar o imóvel, apenas apostando (ou especulando) que preços de apartamentos "sempre sobem", precisa tomar cuidado.

Se uma alta de 30% no valor do apartamento dobra o capital investido, uma baixa semelhante zera todo o aporte inicial.

E a pessoa ainda fica com a dívida referente aos outros 70% para pagar - lembrando que o saldo devedor não diminui junto com o valor do apartamento. Pelo contrário, ele é corrigido pela inflação.

Mas, de novo, por que se preocupar se os preços dos imóveis só sobem? O índice FipeZap recém-divulgado confirmou que, apesar da tão discutida bolha imobiliária, os preços não deixaram de subir no ano passado, tendo acumulado alta de quase 14% em São Paulo ao longo de 2013.

Mas não custa lembrar que desempenho passado não é garantia de desempenho futuro. Do fim de 2007 para cá, os preços dos imóveis em São Paulo acumulam alta nominal de 195%, e o avanço de 14% em 2013 foi o menor da curta série de seis anos, o que indica perda do vigor em relação ao boom que se viu entre 2009 e 2011.

Além disso, dois outros fatores devem ser levados em consideração quando se analisa o mercado imobiliário.

Um deles é a renda do trabalhador. Apesar de ela ter subido 20% acima da inflação desde 2007, isso não chega nem perto do salto real de 115% nos preços dos imóveis no mesmo período.

Esse descompasso só não prejudicou de forma relevante a aprovação dos financiamentos até agora (já que as parcelas não podem comprometer mais de 30% da renda), porque os prazos máximos foram estendidos e os juros reduzidos (especialmente nos bancos públicos), o que fez um contrapeso pontual nesse processo (e a elevação do limite do SFH segue na mesma linha).

O segundo fator de atenção é o aluguel, que não está conseguindo acompanhar no mesmo ritmo a alta dos preços dos imóveis, o que se traduz em taxa de retorno mais baixa para os locadores. Conforme o índice FipeZap, a rentabilidade média mensal era de 0,71% em janeiro de 2008 e veio caindo de forma sistemática até 0,45% em dezembro de 2013.

Enquanto o juro básico vinha caindo, essa queda contínua na rentabilidade dos aluguéis tinha pelo menos uma justificativa racional. Mas, desde abril, quando a Selic voltou a subir, o cenário mudou. Com a renda do aluguel menos competitiva ante as aplicações indexadas ao CDI, não será surpresa se algum ajuste para baixo nos preços dos imóveis vier.