quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O que é alavancagem e como isso afeta os rendimentos de um fundo de investimento?


O uso de alavancas possibilita que uma pessoa multiplique a sua própria força empregada sobre um objeto, podendo inclusive fazer com que uma pessoa desloque um objeto mais pesado do que ela própria. Diversas invenções mecânicas utilizam alavancas para economizar esforço humano ou utilizar a força humana de uma forma que seria impossível de outra forma.

Nos investimentos, é possível aplicar esse princípio físico de uma forma parecida. O investidor ou o gestor de um fundo de investimento pode colocar em risco um volume maior do que tem de patrimônio líquido. Ou seja, seria possível investir $ 200 mil dispondo apenas de $ 100 mil, com os rendimentos obtidos desse investimento sendo gerados com base no capital total (dívida mais patrimônio líquido) e não apenas sobre o capital próprio. A forma mais simples de realizar essa alavancagem é através de um empréstimo, com a captação de recursos a um determinado custo financeiro na expectativa de fazer com que esse dinheiro renda sobre um valor superior, gerando maior rentabilidade sobre o capital próprio. Se o investidor possui $ 100 mil de patrimônio e toma emprestado outros $ 100 mil a uma taxa de 10% e o investimento rende 20%, seu ganho será de $ 30 mil ($ 40 mil de rendimento menos $ 10 mil de custo de financiamento), o que representa 30% do patrimônio inicial e não apenas 20%.

Uma forma mais sofisticada de alavancar é através de derivativos, especificamente contratos futuros e contratos a termo. Como não há liquidação financeira imediata, é possível o investidor buscar uma taxa de retorno aplicável a um capital superior ao que possui sem ter o capital necessário para adquirir esses ativos. O investidor poderia, por exemplo, montar uma posição comprada como se estivesse investindo $ 100 mil em ações sem ter esse dinheiro, precisando apenas ser capaz de depositar a margem de garantia determinada pela bolsa de valores. O seu investimento irá se valorizar ou desvalorizar com base no valor do contrato, e não com base no valor da margem de garantia, possibilitando que o investidor coloque em risco um valor maior do que efetivamente possui. Diariamente, o investidor irá ganhar ou perder o equivalente à variação do preço de ajuste multiplicado pelo número de contratos comprados. Se o investidor tivesse dinheiro para investir o valor equivalente a um contrato e comprasse apenas um contrato, não haveria alavancagem. Adquirir mais contratos do que poderia no mercado à vista aumenta o valor investido.

Contratos futuros mais comumente adotam um índice de ações, o Ibovespa, por exemplo, como ativo-objeto, embora seja possível utilizar ações individuais. Contratos a termo são os instrumentos derivativos mais utilizados para negociar para liquidação futura, funcionando de forma parecida com contratos futuros, mas sem ajuste diário e com menor liberdade para liquidar antecipadamente o contrato.

Os parágrafos anteriores mostraram a situação concreta (expor-se a um risco superior que seria possível no mercado à vista) e enfatizaram a parte positiva (poder ganhar mais do que no mercado à vista), porém, há também o lado negativo. Caso a operação vá na direção contrária à desejada pelo investidor (no caso do comprador, caso os preços caiam), a perda também será maior do que se o investidor tivesse investido apenas o capital que possui.

Há inclusive a possibilidade de que as perdas superem o próprio patrimônio do investidor. No exemplo numérico acima, se as ações caíssem mais de 50%, a perda do investidor superaria os $ 100 mil que ele possuía. Em contratos futuros, essa situação é mais difícil de acontecer, por conta das exigências de margem e os ajustes diários. Por outro lado, em contratos a termo a possibilidade de pesadas perdas é mais concreta, apenas de também haver exigências de garantias.

Alguns tipos de fundos de investimento em ações ou fundos multimercados podem utilizar a alavancagem, expondo os seus cotistas ao risco descrito no parágrafo anterior. Caso o fundo perca mais do que o seu patrimônio líquido, os cotistas serão chamados a aportar no fundo para cobrir a perda. Ou seja, em fundos que admitem alavancagem, a perda pode superar os 100%, algo que não aconteceria em um investimento em títulos de renda fixa ou ações. A possibilidade de perdas que superem o patrimônio deve ser avisada com destaque no prospecto e regulamento dos fundos.

Apesar de não ser tão comum, isso já aconteceu no Brasil. Um caso recente foi o de uma gestor muito conhecida por sua gestão ativa mais agressiva com fundos que quase ficaram com patrimônio líquido negativo na crise de 2008, mas que sofreu pesadas perdas em 2011 e desde então está com patrimônio negativo. Apesar disso, continua operando normalmente.

Por fim, é necessário ressalvar que não é sempre que há o anúncio da possibilidade de perdas que superem o patrimônio que há um risco considerável de que isso ocorra. Muitos fundos permitem ao gestor a utilização de derivativos, mas a política de investimento exige que os derivativos sejam utilizados de forma conservadora ou mais para proteção, e não para alavancagem, o que não descarta, no entanto, que haja a possibilidade de perdas que superem o patrimônio, embora seja remota, que deve ser anunciada nos materiais de divulgação. Por isso é importante consultar o prospecto do fundo em detalhes.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Fique de Olho: Lojas Renner

A LREN3 está em indefinição no curto prazo, com importante resistência em 81,35. Passando desta, a LREN3 ganhará ponto de compra para seguir rumo aos objetivos em 85,25 e 90,00.


PERSPECTIVA PARA O MERCADO


Em dia de agenda econômica pouco movimentada, as atenções do mercado se voltam para discussões sobre o câmbio, após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter afirmado que o governo brasileiro não deixará que o dólar volte ao patamar de R$ 1,85 e reforçou a disposição em intervir no mercado de câmbio para impedir que isso aconteça. Além disso, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reafirmou o compromisso total da autoridade monetária em relação à inflação.

No começo do dia, o IBGE divulgou que o emprego industrial caiu 1,4% em 2012. Houve recuo de 0,2% em dezembro, na comparação com o mês anterior.

Na Europa, as atenções se voltam para o fim da reunião de cúpula da União Europeia (UE), que acontece em Bruxelas. Por volta das 9h30, as principais bolsas do continente aguardavam as discussões com otimismo, subindo perto de 0,5%.

Nos Estados Unidos, os principais índices futuros de Wall Street operavam estáveis, com viés de alta. Ainda hoje, serão divulgados o saldo da balança comercial norte-americana (11h30) e os números das vendas e dos estoques no atacado (13h), ambos relativos a dezembro.

Na China, foi divulgado que o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 2,0% em janeiro ante igual mês de 2012, desacelerando de uma alta de 2,5% em dezembro. O avanço ficou em linha com o esperado pelo mercado. A maioria das bolsas da Ásia fechou o pregão no campo positivo: Xangai avançou 0,6%, Hong Kong subiu 0,2% e Seul, 1%. Já a bolsa de Tóquio fechou com queda de 1,8%

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Hora de arrumar o telhado é sem chuva

Houve uma enorme mudança favorável nos termos de troca comercial no país, que começou em 2003 e fez o pico em 2011. Neste período, os preços das exportações brasileiras subiram bem mais do que os das importações. Foi possível obter um elevado superávit comercial e, com isso, melhorar o perfil do endividamento público, que chegou a ser muito atrelado ao dólar. O Brasil acumulou reservas e se tornou credor líquido em moeda estrangeira. Isto representou uma considerável mudança para melhor nos fundamentos macroeconômicos do país. Anteriormente, sempre que havia uma crise externa, o câmbio se desvalorizava e a dívida pública entrava em trajetória ascendente, criando um problema de solvência externa. Atualmente, uma eventual desvalorização cambial melhora nossa dívida líquida e evita a transmissão de uma crise externa para os fundamentos fiscais.

A crise financeira global de 2008 também trouxe benefícios ao Brasil. A reação dos bancos centrais pelo mundo todo foi de cortar a taxa de juros a mínimas históricas. Com isso, o capital fluiu para os mercados emergentes, o que foi classificado por nosso ministro da fazenda como uma "guerra cambial". Vale lembrar, contudo, que os fluxos abundantes de capitais e a apreciação cambial nos permitiram reduzir a taxa de juros doméstica para um patamar inimaginável há alguns anos. A disponibilidade de capital externo para um país que poupa pouco e precisa investir é benéfica. O desafio é a regulação, para aproveitar essa abundância de recursos para investimentos produtivos. Foi aí que começamos a patinar.

A partir de 2009, paramos de "consertar nosso telhado" e melhorar os fundamentos. Em primeiro lugar, a política fiscal se deteriorou. O governo passou e entregar resultados primários menores e, mais importante, perdemos a transparência das contas públicas, com a adoção de múltiplos truques contábeis. Em segundo lugar, a política monetária foi atropelada no seu objetivo de ancorar as expectativas dos agentes e trazer a inflação à meta. A redução da taxa de juros passou a ser um objetivo político, uma meta da presidência da República. Como resultado, tivemos inflação média de 6,1% nos últimos três anos. Por último, e mais recentemente, o governo passou a gerenciar a taxa de câmbio conforme o objetivo do momento, seja ele estimular a indústria ou conter as pressões inflacionárias.

E se perdemos os pilares do chamado tripé macroeconômico, na parte micro assistimos a uma desorganização geral. Não houve avanço na agenda de aumentar a competitividade. Ao contrário, as agências reguladoras perderam independência. No setor de petróleo, o marco do pré-sal e o controle de preços dos combustíveis foi um desastre, pois conseguiu matar os investimentos estrangeiros e arruinar a Petrobras financeiramente. Os leilões de infraestrutura vêm tendo resultados aquém do esperado, pois existe sempre uma tentativa de reduzir a taxa de retorno ao mínimo possível ou impor a presença estatal. Houve uma guinada protecionista, com vários setores escolhidos para serem defendidos por maiores alíquotas de importação. As isenções tributárias, que a princípio seriam bem vindas, foram feitas para alguns setores e não de forma linear - como seria desejável. O BNDES foi capitalizado por emissão de dívida pública e também passou a escolher setores. Os bancos públicos passaram a conceder crédito agressivamente, enquanto os privados se tornaram mais seletivos. A redução do preço da energia elétrica foi feita de forma hostil às empresas, que perderam expressivo valor de mercado. Por tudo isso, não é de se espantar que o investimento tenha recuado.

A situação externa favorável para os países emergentes não vai durar para sempre. Em algum momento, os países desenvolvidos irão retomar o crescimento e elevar as taxas de juros. O capital ficará mais seletivo à medida que surgirem boas oportunidades de investimento. Nesta hora, iremos colher o que estamos plantando. Ou vamos nos diferenciar e nos tornar elegíveis para novos investimentos ou vamos nos associar aos países que, por políticas equivocadas, foram desligados do radar dos investidores. A hora de arrumar o telhado é enquanto não chove.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

De olho no Mercado

O IBGE divulgou no começo desta sexta-feira que a produção industrial do país caiu 2,7% em 2012, dentro do esperado pelo mercado. Em dezembro, a produção ficou estável, em relação a novembro. Já a produção de bens de capital registrou queda de 11,8% no ano. Ainda hoje, às 15h, serão divulgados os números de janeiro da balança comercial.

Nos EUA, os principais índices futuros de Wall Street operavam com altas moderadas perto das 9h30, à espera da divulgação do número de postos de trabalho criados em janeiro e da taxa de desemprego do país. Os dados saem às 11h30. Logo depois, às 12h, serão conhecidos os índices ISM e Markit sobre a atividade industrial nacional. Às 12h55, é a vez da leitura final de janeiro do índice de sentimento ao consumidor. Às 13h, será divulgado o investimento no setor de construção civil em dezembro.

No começo do dia, as principais bolsas da Europa operavam em alta, refletindo um crescimento acima do previsto do PMI da zona do euro. A atividade industrial do bloco subiu a 47,9 em janeiro, de 46,1 em dezembro. O indicador segue em terreno negativo, mas contraiu-se no ritmo mais lento em 11 meses.

A taxa de desemprego na zona do euro ficou inalterada em 11,7% em dezembro, contrariando a previsão de alta para 11,9%. Já a inflação no bloco monetário subiu 2% em janeiro ante janeiro de 2012, menos que a previsão de alta de 2,2%. Foi a menor taxa desde novembro de 2010.

Na China, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) oficial de atividade manufatureira caiu de 50,6 em dezembro para 50,4 em janeiro, contrariando a expectativa de alta para 51. Já o PMI medido pelo HSBC subiu para uma leitura final de 52,3 em janeiro, de 51,5 em dezembro, no nível mais alto em dois anos. Os principais mercados da Ásia reagiram de forma mista aos resultados: a Bolsa de Hong fechou praticamente estável, enquanto Xangai subiu 1,4%. Tóquio teve alta de 0,47% e Seul caiu 0,21%.