quinta-feira, 14 de março de 2013

Petrobras colabora e carteiras de ações reagem




Depois de fechar o primeiro bimestre com retornos negativos ou de lado, os fundos de ações abriram março com um retrato bem mais positivo. Passaram de apenas uma categoria no azul no acumulado de fevereiro para somente uma no vermelho em março até o dia 8. Ainda não foi suficiente para compensar as perdas no ano. Apenas os fundos de ações livre, em que o gestor não se prende a índices, com 1,57%, superam em 2013 o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), referência para aplicações conservadoras. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

O desempenho dos fundos de ações neste ano revela o impacto que as empresas de commodities - especialmente Petrobras - ainda têm sobre os fundos de ações, ainda que os gestores defendam uma maior perspectiva de valorização das companhias ligadas ao cenário doméstico. Enquanto os papéis ordinários (ON, com direito a voto) da Petrobras caíam 25,88%, até fevereiro, a média dos retornos dos fundos de ações foi sofrível. A virada se deu com a recuperação recente das ações da estatal - alta de 16,91% em março até o dia 12.

Apenas os fundos "small caps", que investem em papéis de menor liquidez, ficaram no negativo no período. Os maiores ganhos em março são das carteiras setoriais, com 3,34%, muitas concentradas em Petrobras. É delas também, entretanto, a maior queda no ano, de 6,28%. Apesar do suspiro recente, Petrobras ON ainda acumula perda de 13,35% no ano até o dia 12.

As ações da Petrobras ganharam valor diante do anúncio de um ajuste de 5% no preço do diesel. Com a notícia, o Ibovespa subiu 3,56%, maior valorização num dia desde julho do ano passado. "O ponto é se a alta é consistente ou de curto prazo", diz Francisco Meirelles, gestor da Nest Investimentos. "Estamos cautelosos, continuamos não gostando muito da história do papel", completa.

À alta da Petrobras se somou a valorização das empresas de Eike Batista, depois da parceria com o BTG Pactual. Esta, no entanto, fortemente revertida esta semana, depois do rebaixamento da recomendação por várias corretoras. Meirelles não acredita que papéis de commodities passem a caminhar melhor do que as demais empresas do Ibovespa. "O que aconteceu foi algo mais pontual. Não há muitos dados para indicar que vai se sustentar ao longo do ano", diz. Nos fundos da Nest, Meirelles continua posicionado no cenário doméstico. É o caso dos shopping centers, em que a proteção contra inflação é considerada um trunfo.

Na renda fixa, os fundos indexados à inflação, no negativo em fevereiro, ganharam 0,29% até o dia 8. Essas carteiras estão recheadas de NTN-Bs, títulos que pagam uma taxa real prefixada. Elas ficaram no positivo mesmo com o avanço da aposta em uma alta dos juros, seja pela força da inflação, seja pelo discurso do Banco Central (BC).

Para José Carlos Carvalho, sócio da Paineiras Investimentos, o BC já deve começar a elevar os juros na próxima reunião, em abril. Ele considera, entretanto, que a maior parte do movimento já foi incorporada às expectativas. Assim, não haveria muito espaço para fortes prejuízos às NTN-Bs. No máximo alguns sustos, como o que pode ocorrer se o tom da ata do Copom, divulgada hoje, pender para o aperto monetário. Carvalho já está de olho em nova oportunidade de ganhar com esses títulos. Ele estima que isso pode acontecer quando o mercado passar a enxergar um cenário de queda da inflação: "Não sei quando vai começar, talvez no fim do segundo trimestre".

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